lauantai, helmikuu 26, 2005

A extinção dos dinossauros em minha opinião

Eu acho que os dinossauros se extinguiram porque gostavam de saltar ao eixo. Eles punham três dinossauros abaixados em filinha num grande campo de erva. Depois os outros dinossauros todos andavam três quilómetros, e formavam uma fila: primeiro os que tinham os dentes maiores, porque eles não gostavam de estar muito tempo na fila e não convinha enervá-los, depois os grandes com as pernas grandes, porque chegavam lá mais depressa e se fossem atrás passavam por cima dos outros, depois os pequenos com as pernas pequenas, para dar um ar politicamente correcto e não incutir demasiada competitividade à sociedade dinossáurica, e finalmente os grandes de pernas pequenas, porque faziam demasiado barulho e algumas crateras a andar, e isso tendia a aborrecer os outros dinossauros, nomeadamente os dos dentes grandes. Depois todos esperavam que trovejasse, que era desde há muito tempo o sinal oficial de partida para o salto-ao-eixo. Normalmente, trovejava regularmente, e os dinossauros nunca tinham que esperar mais que um ou dois dias pela sua vez para começar a correr, mais ou menos desenfreadamente campo afora, e pular por cima das costas dos três dinossauros agachados, com rugidos de alegria e contentamento. Mas houve um dia que o dinossauro da frente, um de dentes particularmente grandes e afiados, e com um feitio terrível, ficou repentinamente cego e surdo e deixou de conseguir sentir os trovões. Ora os dinossauros de trás, apesar de, com o passar das semanas, se sentirem cada vez mais agitados por ele nunca mais avançar, sentiam-se ao mesmo tempo um bocado receosos de ver as suas cabeças arrancadas à dentada, caso manifestassem o seu desagrado pela espera. E foram esperando, esperando, esperando, tentando enganar a fome com umas folhinhas de alface, uns malmequeres, umas pedras e uns mamutes que passeavam por ali até que um dia se acabaram os mamutes e todos os dinossauros morreram de fome. E é por isso que hoje só se podem encontrar ossos de dinossauro, porque eles morreram todos muito magrinhos.

tiistai, helmikuu 22, 2005

Quando as minhas amigas se divorciam eu fico contente

As minhas amigas casadas (as duas) gostam de falar mal dos maridos. Eu não conheço os maridos (os dois), para alêm de um “olá pedro-ou-ricardo tás bom?”. Como tal, as ùnicas informações que me chegam deles são, invariavelmente, referentes aos seus vícios e defeitos. Sei que eles não lavam a banheira depois de tomar banho, que não descarregam o autoclismo depois de fazer xixi, que preferem jogar play station/desmontar autoradios a chegar-se às cozinhas, que as interrompem quando falam, que são ciumentos, que não mostram respeito, que são egoístas e só pensam neles mesmos, que cheiram mal dos pés e arrotam, que estão a ficar carecas e que não sabem fritar batatas. Nunca me chegou aos ouvidos que eles tivessem feito o jantar quando elas 'tivessem doentes, que tivessem feito a cama e dobrado o pijama um dia que saíssem mais tarde ou que tivessem deixado às escondidas um bilhete de amor por baixo da almofada.
Não percebo portanto, porque é que não lhes posso dar os parabéns quando elas me dizem que se divorciam.

perjantai, helmikuu 18, 2005

de pessoas e de botões

Quando eu era pequena divertia-me a inventar estorias cujos protagonistas eram objectos decorativos. Lembro-me, por exemplo, de ter inventado um pequeno romance entre o anjo e o menino jesus no presépio (uma basfémia porno-pedofila agora que penso nisso, mas que na altura me pareceu adequada, dado que o anjo tinha cabelo comprido, o que segundo as minhas regras da altura, era condição necessária e suficiente para se ser do sexo feminino, e o menino, como o proprio nome indica, era um menino), lembro-me tambêm duma pequena tragédia em que um botão de brilhantes se suicidou após um desgosto causado por um infame botão preto, e de inúmeros namoricos entre souvenirs, jarras e bibelots vários. Esses objectos só tinham vida quando a mim me apetecia inventar-lhes uma, e consideraria uma parvoíce e um ultraje se eles decidissem conversar e namorar e ter filhos e viver felizes para sempre estando eu ausente da sala.
Deixei-me disso quando aprendi a ler e pude usufruir de estórias muito mais interessantes e surpreendentes do que quaisquer umas que eu pudesse inventar para os meus bibelots.
No entanto, ultimamente, ocorreu-se-me que as pessoas, as que se cruzam comigo na passadeira, as que andam no meu autocarro, as que se sentam ao meu lado no cinema, as que aparecem nas noticias, as que construíram as casas que bordam as estradas por onde passo, ocorreu-me ultimamente, que essas pessoas são os bibelots que decoram os meus dias.

Pode dar-se tambêm o caso de eu ser um botão de brilhantes nas mãos de uma criança de quatro anos.

keskiviikko, helmikuu 16, 2005

Eu e o Blog

Isto de ter um blog começou por ser um cunning plan, no qual eu debitava um par de insultos ao chefe e ao gajo, cheios de esperteza e piada que iriam ser imediatamente linkados e citados por milhares de blogs e jornais e revistas cientificas, levando-me num apice a um reino de fama e fortuna que me permitiria levar uma vida rica e sossegada. Não correu exactamente como eu esperava, pois um ano e um ror de meses depois continuo a ter que prescindir de jantares e vinhos e malas e a sonhar com dealers distraidos que deixem malas de euros na entrada de casa.
Isto de ter um blog é agora, mais que nada, um exercício. Exercito a escrita, exercito personagens, exercito os dedos indicadores que os outros continuam sem saber onde estão as teclas. No meio do exercicio podem transparecer opiniões minhas e bocados da vida que é a minha, mas nem sempre e decerto que não por todo o lado. De facto abdico de bom grado de opiniões, de correcções e de realidades por uma frase mais bonita ou com mais piada. Por isso, aos que me conhecem e aos que nunca me viram, agradeço que não me tentem descobrir nestas linhas.
Com os melhores cumprimentos,
tasqs

Serenata a um tijolo

O segundo tijolo a contar de cima, da segunda fila a contar da esquerda, da parede de tijolos que cobria a segunda janela do segundo andar do 222 da rua dois de Fevereiro da cidade do porto era o segundo mais lindo que já vi, e cantei-lhe uma serenata:
Tijolo que estás a janela,
Com a tua argila nua
És vermelho
E tens buracos
Nada velho
Cabes nos meus braços
Quero ser tua
E ser da tua vida, a aduela.

tiistai, helmikuu 15, 2005

quadro

Atrás de mim tenho um canteiro de tulipas amarelas que rodeam uma estatua duma cabeça dum senhor com um penacho. Um senhor gordo de gravata pergunta se já é de noite. Respondo que deve ser de noite porque os carros e as pessoas já não estão nas ruas e devem estar nas suas gavetas. Chega um senhor alto com saco de compras, roça no senhor gordo de gravata e senta-se. O senhor gordo de gravata queixa-se da falta de respeito das pessoas pelo espaço de cada um. O senhor alto de saco de compras tira uma cerveja arranca a carica cospe-a e bebe a cerveja sossegadamente. O senhor gordo de gravata começa a masturbar-se. Atinge uma tulipa que já não é amarela. Na proxima primavera o senhor gordo de gravata vai ser pai de um bolbo amarelo, que vai ser adoptado por uma cabeça com um penacho.

perjantai, helmikuu 11, 2005

14-02

Eu quero deixar aqui bem claro que não gosto do dia dos namorados. Não gosto de prendas com data marcada, não gosto que televisões rádios e montras me digam o que fazer ou o que esperar, não gosto dos amuos na eventualidade da expectativa ser maior que o acontecimento. Não gosto que os amigos me ignorem porque assumem que no dia dos namorados nada mais se faz se não namorar, não gosto que empregados de restaurante me persigam com coraçõezinhos e velinhas, não gosto de piscadelas de olho enquanto compro o bilhete de cinema. E não gosto que me ofereçam prendas que já vêm feitas, escolhidas e embrulhadas “especialmente para a sua namorada”.
tendo dito isto, esclareço apenas que qualquer dia é um bom dia para receber um maserati.

keskiviikko, helmikuu 09, 2005

O Narrador

A minha vida tem um Narrador. O Narrador é um senhor que mora na minha cabeça e que me vai contando a minha vida à medida que esta se vai vivendo. Não é um daqueles Narradores que sabem tudo, passado presente e futuro e que sabem sempre o que toda a a gente está a apensar e porque se fazem as coisas que se fazem.
O meu Narrador é só um senhor bem falante que vai descrevendo a minha vida a mim própria, e que de vez em quando me deixa usar as palavras dele para contar a minha vida a outros.
Eu e o Narrador às vezes conversamos, e às vezes discutimos. Ele costuma insultar-me mas normalmente só quando eu concordo com ele. Não sei se será por eu ter uma natureza insultuosa, se será por o Narrador ter medo de ser despedido se me insultar em desacordo comigo.
Eu prefiro ter um Narrador bem falante a ter um Narrador que sabe tudo. Se eu tivesse um Narrador-sabe-tudo acho que me ia aborrecer muito quando tomasse uma decisão errada e ele narrasse do alto da sua sabedoria “mal sabia ela que aquela cerveja seria a sua morte...”

torstai, helmikuu 03, 2005

O meu primo doutor

Tenho um primo que é doutor de tese. Eu sei porque uma vez queixei-me a ele que andava com umas dores nas costas, e ele perguntou-em o que tinha ele a ver com isso, e eu disse-lhe que se era doutor devia perceber de dores e curas e ele disse que não era doutor de gente, mas doutor de tese. Perguntei-lhe o que era isso de ser doutor de tese e ele disse-me que era passar três anos e meio a estudar uma coisa e meio ano a escrever tudo o que se sabe sobre essa coisa. Eu perguntei-lhe, já que tinha passado tanto tempo a estudar, o que tinha aprendido ele. Ele disse que tinha aprendido a usar a imaginação, e eu perguntei-lhe se ele tinha inventado coisas para escrever na tal tese, e ele disse que não, mas que se farta de inventar coisas no curriculo. Eu na altura não percebi, mas uma vez li um curriculo dele e lá dizia que ele tinha passado quatro anos na prisão, e eu sei que ele nunca esteve na prisão. Outro dias perguntei-lhe se ser doutor tinha vantagens, e ele pensou, e depois disse que sendo doutor é mais fácil arranjar vez no dentista porque a recepcionista gosta mais dele assim doutor.

Classificados

Troco
Voto, branco, como novo
Por
Promessas cumpríveis e boa vontade

(só pessoas de confiança)

keskiviikko, helmikuu 02, 2005

apocalipse

Eu quero mais é que se fodam todos, tigres, passarinhos e criancinhas. Quero que se extingam já amanhã, pulmões pretos dos canos de escape que todos se acham no direito de usar, peles amareladas e com cheiro à merda que corre nos leitos dos rios que os meus pais sabiam de cor, as vísceras a liquefazerem-se e a serem defecadas um bocadinho de cada vez, sem se dar por ela porque o corpo está anestesiado com os medicamentos com que drogamos a cadeia alimentar. Pessoas a começar a dar mais importância ao toto-cancro que ao toto-loto, indagando-se onde será que o vão apanhar primeiro, esperando que seja algum de morte rápida, os outros que se fodam com as dívidas e as hipotecas e os empréstimos e os juros. Os poucos idosos que restam a morrer sozinhos em casa, comendo migalhas bolorentas que vão encontrando debaixo da torradeira, com medo de sair de casa, porque mesmo em agosto pode vir um nevão que lhes leve o calor do sangue e enrijeça os muculos antes que consigam chegar ao supermercado.
E eu, o que quero mais, é que se fodam todos.

piadinha

Eu acho que o gelo é água que está morta. Eu acho isto porque nunca vi ninguêm que estivesse vivo a boiar em água fria. Não sei de que morreu o gelo. Acho o gelo não morreu afogado, porque quando as pessoas morrem afogadas ficam com os pulmões cheios de água e afundam-se. A menos que sejam muito gordas, ou estejam vestidas com tecidos que prendem ar. Eu acho que o gelo não é gordo porque não tem calorias, e o unico gelo vestido que conheço são os bonecos de neve, e nunca vi nenhum a boiar.
Se calhar o gelo morreu de cirrose porque está sempre metido nos copos...

tiistai, helmikuu 01, 2005

Dinamarquices

Gosto de estrangeiros. São pessoas como as outras (chatas, só querem falar de si, acham-se melhores que os outros), só que são diferentes, e como tal interessantes. Este ano, por exemplo, foi pródigo em Estrangeiros da Dinamarca. Antes de este ano passar nunca tinha conhecido nenhum e não fazia a mais pequena ideia que a dinamarca era um país pequenino, monarquico e sem montanhas. Este ano juntei 5 dinamarqueses, estes dados e mais alguns à lista das coisas que eu conheço. Quatro deles pareceram-me pessoas normais (iguais aos meus amigos só que em tons de louro e no tamanho acima). Conheci-os no euro, “na esplanada de um bar”, convidei-os a ir lá a casa no fim do jogo da holanda, beber cerveja e comer chiken stomachs. Eles foram, comeram, agradeceram mil vezes a hospitalidade, e disseram que se fosse na terra deles não podia acontecer nada disto porque as pessoas que vivem na dinamarca iam dizer “fuck you” a qualquer estrangeiro que lhes pretendesse entrar em casa.
O quinto é outra história. Talvez por ter passado mais tempo com ele, talvez porque todas as pessoas são diferentes, disse-me duas ou três coisas acerca do modo de vida dinamarquês que me deixaram com dúvidas existenciais.
Uma das coisas que me disse foi que os dinamarqueses não partilham comida. Eu entendo que as pessoas não queiram mastigar comida onde eu já deixei cuspos e algum eventual vírus (dar uma trinca da minha maçã, ou beber do meu copo, por exemplo). Tambem entendo que as pessoas não queiram por na boca comida onde eu já toquei com as minhas mãos, que podem por exemplo ter andado de autocarro ao lado duma pessoa com tuberculose. Já me custa um bocado mais a entender a repugnância em comer uma fatia da minha torrada, ou metade de uma maçã que já vem cortada... Esta ultima parte ao que parece, é sintoma não da higiene dinamarquesa, mas da reserva nórdica. Isto leva-me a pensar se a raça dinamarquesa não estará em vias de extinção, porque com tanto nojo e reserva devem ter algumas dificuldades em copular.
Outra coisa que aprendi é que os dinamarqueses não andam por aí a fazer alarde das suas necessidades fisiológicas, e sentem-se incomodados quando os outros o fazem, dizendo por exemplo, “ai tenho tanta vontade de cagar que até tou a ficar amarelo”. Eu conheço algumas pessoas assim, mas são todas gajas. Conheço algumas gajas que não se importam de dizer “tenho que fazer xixi”, e conheço outras que o máximo que se permitem é dizer “com licença”. Estas últimas são pessoas mais bem educadas no geral (tomam chá e isso). Por isso, esta minha dúvida reside em decidir se os dinamarqueses são mais femininos ou mais bem educados.