O senhor do tempo livre
Era uma vez um senhor que tinha muito tempo livre e que queria saber o que fazer dele. Como este senhor não era um desses senhores que tomam decisões sem primeiro averiguar de todas as possibilidades de escolha, decidiu fazer uma lista das coisas a que podia dedicar os seus tempos livres. Primeiro pensou em pegar num dicionário e fazer uma lista de todas as palavras que pudessem traduzir actividade, mas pensando melhor no assunto achou que qualquer palavra, com a adequada imaginação poderia indicar uma ou várias actividade, por exemplo a palavra “abade” tanto poderia sugerir a frequência de um curso de teologia, como a manufactura de pequenos exemplares de barro, ou o serial killing de membros da igreja. Então achou melhor começar por fazer um inquérito a pessoas conhecidas, uma colecta das actividades consideradas normais e mais usadas como ocupadoras de tempos livres. A lista começou com um simples viajar, mas cresceu tanto e tão rapidamente com ler, caminhar, jardinar, cozinhar, costurar, ver televisão, ir ao cinema, pintar, esculpir, escrever, fotografar, posar, passear, construir, coleccionar, correr, nadar, treinar, engomar, limpar, lavar, trabalhar, casar, copular, coçar, cultivar, arrepender, pensar, filosofar, chatear, prometer, contar, inventariar, alfabetizar, desenhar, depilar, tatuar, conduzir, pregar, acarinhar, miniaturizar, coscuvilhar, comunicar, observar, investigar, alimentar, traduzir, amealhar, colorir, educar... cresceu tanto, que o senhor começou a ficar preocupado com a fase da escolha, como escolher entre tantas actividades?
Então o senhor pensou numa estratégia, e decidiu fazer um organigrama de actividades:
Primeiro dividiu as actividades em paradas (tipo pensar, filosofar, e ler) e mexidas (tipo correr, andar de bicicleta e copular), e pensou em qual destes dois tipos preferia ocupar os seus tempos livres. Pensou e decidiu que gostava mais das paradas que ele não era um senhor muito atlético e não gostava de suar.
Nas actividades paradas podia escolher entre as paradas criativas (pintar, escrever, imaginar...) e as paradas consumidoras (ler, observar, coleccionar). Esta escolha foi mais difícil, porque se por um lado consumir coisas já feitas dava menos trabalho ao cérebro e era sempre uma surpresa ver o que saía do dos outros, por outro lado criar era infinito e podia ser feito em qualquer lado com ou sem dinheiro.
Restava decidir entre actividades em meios físicos (escrever, pintar) e actividades em balõezinhos no ar (filosofar, pensar, dar sentido à vida), e achou que sem meios físicos seria mais fácil usufruir de todo e qualquer tempo livre, porque teria a liberdade de fazer a actividade de sua escolha em qualquer sítio, altura ou situação.
Quando chegou à altura de escolher de entre a agora bastante mais restrita lista de actividades ocupadoras de tempos livres de sua preferência, o senhor sentiu uma dor num braço e morreu.
Então o senhor pensou numa estratégia, e decidiu fazer um organigrama de actividades:
Primeiro dividiu as actividades em paradas (tipo pensar, filosofar, e ler) e mexidas (tipo correr, andar de bicicleta e copular), e pensou em qual destes dois tipos preferia ocupar os seus tempos livres. Pensou e decidiu que gostava mais das paradas que ele não era um senhor muito atlético e não gostava de suar.
Nas actividades paradas podia escolher entre as paradas criativas (pintar, escrever, imaginar...) e as paradas consumidoras (ler, observar, coleccionar). Esta escolha foi mais difícil, porque se por um lado consumir coisas já feitas dava menos trabalho ao cérebro e era sempre uma surpresa ver o que saía do dos outros, por outro lado criar era infinito e podia ser feito em qualquer lado com ou sem dinheiro.
Restava decidir entre actividades em meios físicos (escrever, pintar) e actividades em balõezinhos no ar (filosofar, pensar, dar sentido à vida), e achou que sem meios físicos seria mais fácil usufruir de todo e qualquer tempo livre, porque teria a liberdade de fazer a actividade de sua escolha em qualquer sítio, altura ou situação.
Quando chegou à altura de escolher de entre a agora bastante mais restrita lista de actividades ocupadoras de tempos livres de sua preferência, o senhor sentiu uma dor num braço e morreu.

6 Comments:
Ainda por cima é forreta... sendo tão forreta, o melhor que ele tinha feito era ir amealhar, ou então pregar - uma religião, de preferência, talvez a religião do dinheiro...
Um amigo dum familiar dum primo dum tio-avó dum colega meu conhecido morreu assim com um ataque de tendinite súbita
Não seria uma galopante artrose motivada por causas psicossomáticas?
Com tanto tempo livre era ministro do quê?
:D
um bom guiao para uma telenovela
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